A SATISFAÇÃO CONTRADITÓRIA DO DESEJO

Lendo o livro Sapiens, de Yuval Noah Harari, vi algo curioso e muito congruente.


É impressionante como nossos desejos são nossos maiores anátemas. 

Pergunte-se, estou satisfeito com o que tenho em minha vida?  Estou feliz? Tenho o que quero?

Pois bem, percebe o quão contraditório muitas das vezes podemos ser, como é possível experimentarmos as coisas boas e ruíns e não termos satisfação em muitas delas, achando assim que não foi o suficiente, até mesmo que não era bem como imaginamos, que quer ainda mais, enfim, todas as frases possíveis que nos separa da satisfação plena.



Por que isso acontece?


Para entendermos isso, é preciso conhecer um pouco da história de um príncipe do Himalaia, Gautema.  Ele olhou à sua volta e viu muito sofrimento, dor, angústias, frustrações, morte, doenças e descontentamento na humanidade, que por querer compreender os “por quês” disso tudo, resolveu assim fugir de seu pequeno reino e feito andarilho, vagar pelo mundo.

Visitou ashrams, aprendendo com Gurus, mas não o satisfez com o conhecimento deste tempo, achando ainda que faltara algo, alguma peça que ele não havia encontrado.  Após isso, resolveu seguir seu caminho sozinho e passou seis anos meditando sobre a essência, causas e angustias da essência humana, tendo assim conseguido o que procurava.




O sofrimento é causado por padrões de comportamento conduzidos pela nossa própria mente, que não importará o que nossa mente possa experimentar, ela sempre reagirá por desejo e o desejo sempre envolve a insatisfação.  Quando temos algo de desagradável, imediatamente queremos nos desvencilhar disso, gera inquietação, raiva e irritação por nem sempre termos esse controle de desligar isso.  A exemplo disso, quando temos dor, queremos que esta vá embora e fazemos de tudo para que consigamos eliminá-la, mas quando temos algo prazeroso, sofremos pelo temor de que isso desapareça, que vá embora e assim sendo, além de não fazermos de tudo inverso da dor para que permaneça, ainda não vivemos o momento com todas essas angustias da perda tendo ainda esta parte agradável na vida.  As pessoas sonham em encontrar o amor perfeito e quando o encontra pensa se não existe nada melhor, se não tem uma outra pessoa no mundo que seria uma opção melhor ou então é pensado que o parceiro o abandone, trazendo sofrimento e em alguns casos, acontecem ambos pensamentos.

Vivemos em um engodo de sofrimento, onde satisfação é um mito, afinal, quero sempre mais e quando alcanço, passo a querer mais ainda, vivendo assim refém da minha angustia dos anseios infinitos, mas sem valorizar o que tenho hoje.


 

Tudo bem, o problema agora já é conhecido, mas o que podemos fazer para mudar isso? Como podemos escapar desse ciclo vicioso?


É incrível, as melhores soluções vem de perguntas e não qualquer pergunta, mas a pergunta certa, não é mesmo?


Se quando sentirmos algo agradável ou desagradável, olhando de forma realista e da forma como são as coisas, o sofrimento desaparece, mas para isso teremos com que a mente aceite sem desejar, aceitando a dor como dor, alegria como alegria, prazer como prazer, tristeza como tristeza e assim por diante, sem criar desejos nisso.

Dessa forma, Gautema desenvolveu técnicas meditativas para experimentar a realidade, dando foco na pergunta como, “O que estou sentindo agora?” ao invés de “O que gostaria de sentir agora?”.


Note como o agora sem desejo muda completamente, porque somos parte do agora e não do amanhã, pois o amanhã é incerto, mas se olharmos para o agora e o aceitarmos, tudo fica mais iluminado para olharmos caminhos, estarmos centrados em soluções com maior praticidade e menos sofrimento.


“O que somos começa agora!”


Essa frase é o que Robert Dilts e Richard Moss aplica no Coaching de Presença, mas utilizado também com outras roupagens em tudo o que vemos hoje no mundo do comportamento.  No entanto, o AGORA é o mais importante, seja ele o que for, bom ou mal, certo ou errado, alegre ou triste, dolorido ou prazeroso, seja o que for dessa dualidade antagônica que vivemos, tendo apenas uma coisa, o Hoje, fazendo a pergunta certa sem impetrar desejos e assim construirmos uma vida muito mais harmônica.


O príncipe Gautema se tornou “Buda”, ele se foi, mas seus ensinamentos fogem unicamente da espiritualidade e pode ser aplicado à nossa vida, afinal, somos um todo, mas formado por partes, corpo, mente e espirito.


(Texto escrito à luz do livro Sapiens, Uma História da Humanidade, pags. 233 e 234.)

Escrito por Wendell Lima

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